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Raiva

É uma doença infecciosa viral grave e caracteriza-se como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%. Todos os mamíferos são suscetíveis ao vírus da raiva. O vírus rábico, presente na saliva de animais infectados, penetra no organismo principalmente através de mordidas, mas também por arranhões ou lambeduras de mucosas.

O Rio Grande do Sul atende à definição de área livre de Raiva Canina, causada pelo vírus da raiva mediada por cães, das Variantes Antigênicas 1 e 2 (AgV1 e AgV2), popularmente conhecida como raiva urbana. Este status epidemiológico foi obtido após muitos anos de trabalho com alto índice de cobertura nas campanhas massivas de vacinação de cães e gatos, somados a outras atividades de prevenção e controle. Desde 1996, estão suspensas no estado as grandes campanhas públicas de vacinação, permanecendo a recomendação da vacinação individual de responsabilidade do proprietário.

A partir de 2003, os morcegos passaram a ser os principais causadores da raiva humana no Brasil. No Rio Grande do Sul, o vírus da raiva ocorre em diferentes espécies de morcegos, podendo ser hematófagos (morcegos vampiros), insetívoros, frugívoros ou nectarívoros. Em áreas rurais, a presença de morcegos positivos para raiva, em grande parte pelos morcegos vampiros, impacta principalmente a atividade rural e a economia; outras espécies de morcegos também se adaptam ao ambiente urbano, e nesses locais morcegos positivos para raiva trazem risco da doença aos pequenos animais (principalmente aos gatos por seu instinto predador) e aos humanos. De 2001 a 2024, oito animais domésticos foram diagnosticados com variantes do vírus da raiva associados a morcegos: dois gatos com AgV3 (variante de morcego hematófago), e um cão e cinco gatos com AgV4 (variante de morcegos insetívoros). Apesar do número limitado de notificações de casos de raiva em animais de companhia no estado, podemos dizer que a raiva animal é endêmica no Rio Grande do Sul, devido à presença de variantes de morcegos que são transmitidas a animais de produção e de companhia.

É importante lembrar que os morcegos não hematófagos fazem parte da fauna local e têm importante papel no controle de insetos, na polinização e na dispersão de sementes, participando ativamente da manutenção da biodiversidade e mantendo o equilíbrio dos ecossistemas naturais. Por isso, é necessária a conscientização da população da importância desses animais e de manter cães, gatos e animais de produção vacinados contra a raiva anualmente.

Outras espécies de mamíferos silvestres, além dos morcegos, podem estar envolvidas na manutenção do ciclo silvestre da raiva. Casos de mamíferos silvestres terrestres positivos para a raiva, como graxains e primatas não humanos (PNH), são notificados anualmente em outras regiões do país. Por isso, qualquer mamífero silvestre que agredir seres humanos ou outros animais, ou que for encontrado morto, é suspeito de portar o vírus da raiva.

Centro Estadual de Vigilância em Saúde