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Histórico

Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CDCT)

No contexto dos anos 90, desde a determinação da estrutura do DNA e a sua manipulação, inúmeros avanços aconteceram em todas as áreas, principalmente na saúde. As técnicas de biologia molecular introduziram novas abordagens de análise que foram contribuindo para diagnósticos precoces e rápidos, monitoramento de surtos, tratamentos mais eficazes entre outros. Esses avanços científicos se traduziram rapidamente em novas demandas na saúde, tais como testes moleculares, biofármacos, vacinas recombinantes e outros.

Essas demandas, quando atendidas pelos programas sociais, oneram em muito o sistema público tornando esses custos praticamente insustentáveis. Os custos com kits de diagnóstico, fármacos como interferon e análises moleculares para acompanhamento de tratamento são enormes, uma vez que esses insumos são na grande maioria importados e as análises requisitadas realizadas apenas na iniciativa privada.

Neste cenário, em 2001, foi criado o Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CDCT), considerando as dificuldades relacionadas à dependência tecnológica e também a capacidade já instalada na Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (FEPPS/RS) de um grupo de pesquisa com análises moleculares que atuava no IPB-LACEN. O departamento tinha como finalidade fomentar, estimular e executar a pesquisa científica e biotecnológica, além de formar recursos humanos. As atividades do Centro proporcionaram um enorme avanço nas pesquisas locais porque, diferente das pesquisas realizadas pela Universidade, elas eram direcionadas a resolução de problemas de saúde pública do Estado.

Além da produção e propagação do conhecimento, o desenvolvimento tecnológico também avançou, gerando protótipos de produtos novos com alto valor agregado e disponíveis apenas por importação. Assim, kits para diagnósticos de meningite, tuberculose, hepatite, e micobacterioses mais avançados e mais eficazes poderiam ser produzidos no país com custos acessíveis ao sistema de saúde.

Reconhecido nacional e internacionalmente, o CDCT foi fortalecido pelas parcerias e por financiamentos de agências de fomento. Alguns recursos foram importantes para consolidar o Centro. Recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento à pesquisa e desenvolvimento ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, propiciaram o desenvolvimento do kit de diagnóstico de tuberculose gerando uma solicitação de propriedade intelectual (INPI 9.900296-5) cuja patente foi concedida neste ano (2018). Por sugestão da própria FINEP, a FEPPS realizou em 2006 uma parceria com a empresa Labtest de Minas Gerais para realizar a transferência de tecnologia e posterior produção comercial desse kit. Essa parceria gerou um protótipo com mais uma solicitação de patente (PI09006125). A utilização deste kit em uma rotina de diagnóstico na rede pública também foi testada em oito estados brasileiros. Ficou demonstrado que esse novo procedimento foi custo-efetivo e tinha a capacidade de diagnosticar um paciente com tuberculose no mesmo dia (Scherer et al., 2009).

Também com financiamento da FINEP e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), foram iniciadas em 2008 as pesquisas para obtenção de um método de diagnóstico e genotipagem de vírus de hepatite C (HCV). O trabalho visava suprir a necessidade de uma tecnologia nacional para diagnóstico molecular da doença. O resultado foi o desenvolvimento e padronização de um teste colorimétrico simples, rápido e de custo acessível para detecção e genotipagem do vírus da hepatite C. Como os resultados foram promissores e inovadores, foi possível solicitar um pedido de propriedade industrial ao INPI (PI1003747).

Além do desenvolvimento tecnológico, os estudos sobre a propagação, transmissão e causa de doenças tem contribuído para responder questões importantes da comunidade científica. Esse grupo identificou quais as principais causas biológicas da resistência aos fármacos no tratamento da tuberculose. Esse conhecimento tem servido para a elaboração de novos testes de identificação de resistência. Um trabalho realizado com pacientes portadores de hepatite C em tratamento com interferon mostrou a causa de alguns não responderem favoravelmente a essa terapia. Assim, inúmeras outras pesquisas tem sido publicadas em revistas internacionais e de grande impacto.
Em 2007, o Centro passou a disponibilizar testes de análise genética para a população com o objetivo de investigação de paternidade, através de um contrato firmado com o Tribunal de Justiça do RS. A população passou a ter acesso gratuito e rápido a esses exames. Até 2017, foram resolvidos mais de 100 mil casos de paternidade.

O Centro teve desde o início um papel fundamental na formação de profissionais de saúde em novas tecnologias para utilizar em saúde. O acesso à formação profissional tem sido viabilizado pela parceria com todas as universidades do Estado. Profissionais capacitados nesta área já estão em atividade em várias instituições do país propagando os conhecimentos aqui adquiridos.

Desde 2017 com a extinção da FEPPS, o CDCT passou a fazer parte da Secretaria Estadual da Saúde, atuando como uma divisão do Centro Estadual de vigilância em Saúde (Cevs).

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