Tétano Neonatal
Doença infecciosa aguda, grave, não contagiosa, que acomete o recém-nascido nos primeiros 28 dias de vida, tendo como manifestação clínica inicial a dificuldade de sucção, irritabilidade e choro constante. Causado pelo bacilo Gram-positivo, anaeróbico e esporulado, produtor de várias toxinas Clostridium tetani, sendo a toxina tetanospasmina responsável pelo quadro de contratura muscular. Não é doença contagiosa, portanto não existe transmissão de pessoa a pessoa.
MODO DE TRANSMISSÃO: Por contaminação, durante a manipulação do cordão umbilical ou por meio de procedimentos inadequados realizados no coto umbilical, quando se utilizam substâncias, artefatos ou instrumentos contaminados com esporos.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: Aproximadamente 07 dias, podendo variar de 02 a 28 dias.
SUSCETIBILIDADE E IMUNIDADE: A suscetibilidade é universal, afetando recém-nascidos de ambos os sexos. A doença não confere imunidade. A imunidade do recém-nascido é conferida pela vacinação adequada da mãe. Os filhos de mães corretamente vacinadas apresentam imunidade passiva e transitória até 02 meses de vida. Todas as gestantes devem ter o esquema completo, com duas doses da vacina dT e uma dose da vacina dTpa a cada gestação, realizada a partir da 20ª semana. A imunidade passiva, por meio do soro antitetânico (SAT), dura em média duas semanas; e, pela imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT), em torno de três semanas.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: O recém-nascido apresenta choro constante, irritabilidade, dificuldade para mamar e abrir a boca, decorrente da contratura dolorosa dos músculos da mandíbula (trismo), seguida de rigidez de nuca, tronco e abdome. As contraturas de musculatura abdominal podem ser confundidas com cólica intestinal. Quando há presença de febre, ela é baixa, exceto se houver infecção secundária. Os espasmos são desencadeados ao menor estímulo (tátil, luminoso, sonoro, por temperaturas elevadas) ou surgem espontaneamente. Com a piora do quadro clínico, o recém-nascido deixa de chorar, respira com dificuldade e as crises de apneia passam a ser constantes, podendo levar ao óbito. O coto umbilical pode se apresentar normal ou com características de infecção, que dura em torno de dois a cinco dias.
DIAGNÓSTICO: O diagnóstico é essencialmente clínico e não depende de confirmação laboratorial.
TRATAMENTO: O recém-nascido deve ser internado em unidade de terapia intensiva (UTI) ou em enfermaria apropriada, acompanhado por uma equipe médica e de enfermagem experiente e treinada na assistência dessa enfermidade, o que pode reduzir as complicações e a letalidade. A unidade ou enfermaria deve dispor de isolamento acústico, redução da luminosidade, de ruídos e da temperatura ambiente. A atenção da enfermagem deve ser contínua, vigilante quanto às emergências respiratórias decorrentes dos espasmos, realizando pronto atendimento com assistência ventilatória nos casos de dispneia ou apneia.
Os princípios básicos do tratamento do tétano neonatal visam curar o paciente, diminuindo a morbidade e a letalidade causada pela doença. A adoção das medidas terapêuticas é de responsabilidade médica e o tratamento consiste em:
- Sedação do paciente antes de qualquer procedimento (sedativos e miorrelaxantes de ação central ou periférica).
- Adoção de medidas gerais que incluem manutenção de vias aéreas permeáveis, hidratação, redução de qualquer tipo de estímulo externo, alimentação por sonda e analgésicos.
- Utilização de imunoglogulina humana antitetênico (IGHAT) ou, em caso de indisponibilidade, administração de SAT.
- Antibioticoterapia, sendo os fármacos de escolha a penicilina G cristalina ou o metronidazol.
- Outros sedativos e anticonvulsivantes (curare, hidrato de cloral a 10%, fenobarbital) poderão ser utilizados a critério médico.
MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE: A realização do pré-natal é extremamente importante para prevenir o tétano neonatal. É quando se inicia o estabelecimento de um vínculo entre a usuária e a unidade de saúde, na qual serão realizadas as ações de vacinação (atualização ou início do esquema vacinal), a promoção do parto asséptico, da amamentação, do planejamento familiar e dos cuidados de higiene com o recém-nascido, em especial do coto umbilical. É importante enfatizar que a consulta do puerpério é de extrema importância para orientações e detecção de práticas que predispõem à doença, bem como para a atualização do Calendário Vacinal, tanto da mãe quanto da criança.
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