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Poliomielite

Paralisias Flácidas Agudas (PFA)/Poliomielite

A poliomielite é uma doença infectocontagiosa viral aguda caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito, que ocorre em aproximadamente 1% das infecções causadas pelo poliovírus. O déficit motor instala-se subitamente e acomete, em geral, os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principais características a flacidez muscular, sensibilidade preservada e arreflexia no segmento atingido.

AGENTE ETIOLÓGICO: Poliovírus, sorotipos 1, 2 e 3, pertencentes ao gênero Enterovirus, família Picornaviridae. Os poliovírus selvagens dos três sorotipos podem causar paralisia flácida. O poliovírus selvagem tipo 1 permanece circulando, o tipo 2 foi declarado erradicado em setembro de 2015 e o tipo 3 declarado erradicado em outubro de 2019 (OMS, 2021).

PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 7 a 12 dias, podendo variar de 2 a 30 dias.

MODO DE TRANSMISSÃO: fecal-oral, através de objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores, ou pela via oral-oral, por gotículas de secreções da orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar).

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: Eliminação orofaringe persiste aproximadamente 01 semana, e nas fezes, por três a seis semanas.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: Os sinais e sintomas da poliomielite variam conforme as formas clínicas, desde ausência de sintomas até manifestações neurológicas mais graves. A poliomielite pode causar paralisia e até mesmo a morte, mas a maioria das pessoas infectadas não fica doente e não manifesta sintomas.

*FORMA INAPARENTE OU ASSINTOMÁTICA: ocorre em mais de 90% das infecções.

*FORMA ABORTIVA: ocorre em aproximadamente 5% dos casos e caracteriza-se por sintomas inespecíficos: febre, cefaleia, tosse e coriza; manifestações gastrointestinais, como vômito, dor abdominal e diarreia. A forma abortiva pode evoluir para uma meningite asséptica, com o surgimento de sinais de irritação meníngea e rigidez de nuca.

*FORMA MENINGITE ASSÉPTICA: no início, apresenta-se com as mesmas características da forma abortiva. Posteriormente, surgem sinais de irritação meníngea e rigidez de nuca.

*FORMA PARALITICA: acomete em torno de 1% a 1,6% dos casos, e manifesta-se com características clínicas típicas, que permitem sugerir o diagnóstico de poliomielite:

  • Instalação súbita da deficiência motora, acompanhada de febre.
  • Assimetria, acometendo a musculatura dos membros, com mais frequência os inferiores.
  • Flacidez muscular, com diminuição ou abolição de reflexos profundos na área paralisada.
  • Sensibilidade preservada.
  • Persistência de alguma paralisia residual (sequela) após 60 dias do início da doença.

Há ainda a chamada Síndrome Pós-Polio, na qual mesmo as crianças que parecem se recuperar totalmente podem desenvolver novas dores musculares, fraqueza ou paralisia quando adultos, 15 a 40 anos depois.

IMUNIDADE E SUSCETIBILIDADE: Todas as pessoas não imunizadas são suscetíveis à doença. O recém-nascido apresenta proteção nos primeiros meses de vida, devido aos anticorpos maternos, transferidos da mãe sensibilizada para o feto por via placentária. Embora ocorra com maior frequência em crianças, a poliomielite também pode ocorrer em adultos que não foram imunizados. O calendário Nacional de Vacinação indica a Vacina VIP (inativada) no esquema de três doses aos 02/04/06 meses de idade e um reforço aos 15 meses.

SEQUELAS: As sequelas da poliomielite estão relacionadas com a infecção da medula e do cérebro pelo poliovírus. Normalmente correspondem a sequelas motoras e não tem cura. Assim, as principais sequelas da poliomielite são:

  • Problemas e dores nas articulações.
  • Pé torto, conhecido como pé equino, em que a pessoa não consegue andar porque o calcanhar não encosta no chão.
  • Crescimento diferente das pernas, o que faz com que a pessoa manque e incline-se para um lado, causando escoliose.
  • Osteoporose.
  • Paralisia de uma das pernas.
  • Paralisia dos músculos da fala e da deglutição, o que provoca acúmulo de secreções na boca e na garganta.
  • Dificuldade de falar.
  • Atrofia muscular.
  • Hipersensibilidade ao toque.

TRATAMENTO: Não há tratamento específico para a poliomielite. Todos os casos devem ser hospitalizados, procedendo-se ao tratamento de suporte, de acordo com o quadro clínico do paciente.

DIAGNÓSTICO: O diagnóstico é realizado através do isolamento do vírus a partir de amostra de fezes do caso ou de seus contatos. A amostra deve ser coletada até o 14º dia do início da deficiência motora. Entre os cuidados com a amostra destacam-se:

  • Amostra com 4 a 8 gramas de fezes, armazenada em pote de plástico rígido tampa de rosca bem fechado.
  • Manter a amostra entre 4º a 8º C.
  • Transporte em caixa térmica com gelo reciclável.
  • O envio deve ser o mais rápido possível ao LACEN/RS. Não ultrapassar 72h.
  • Identificação da amostra: nome paciente, doença, município, data coleta, natureza da amostra.
  • Em crianças que apresentam constipação intestinal, dificultando a coleta, pode-se utilizar supositório de glicerina.

VIAJANTES: A Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações (CGPNI), orienta os serviços de saúde e usuários sobre a vacinação de viajantes internacionais contra poliomielite, provenientes ou que se deslocam para áreas com circulação de poliovírus selvagem e derivado vacinal, na Nota Informativa nº 315/2021-CGPNI/DEIDT/SVS/MS.

MATERIAL DE APOIO:

Ficha de Notificação SINAN

Nota Informativa DVE/CEVS/SES-RS nº 23/2025 - Paralisa Flácida Aguda/Poliomielite - Atualizações frente ao Cenário Epidemiológico atual. Atualizada em 12/12/2025.

Nota Informativa CGPNI/DEIDT/SVS/MS n° 315/2021 - Orienta os serviços de saúde e usuários sobre a vacinação contra poliomielite de viajantes internacionais, provenientes ou de que se deslocam pare áreas com circulação de poliovírus selvagem e derivado vacinal.

 

Centro Estadual de Vigilância em Saúde