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Plano de Erradicação da Poliomielite - Estratégia no Brasil

A Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite teve seu início com a 41ª Assembléia Mundial da Saúde em 1988. Grandes avanços no enfrentamento da poliomielite foram conquistados a partir desse compromisso global, com programas eficazes de prevenção, vigilância e controle.  De 1988 até 2016, a incidência mundial da doença diminuiu 99% e o número de países que apresentavam casos da doença passou de 125 para apenas 2 (Paquistão e Afeganistão). O Poliovírus Selvagem (PVS) sorotipo 2 foi declarado erradicado em 2015.

Nas Américas, o último registro de caso de poliomielite por PVS ocorreu em 1991, no Peru, e o continente recebeu o Certificado da Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem em 1994. No Brasil o último PVS detectado foi em 1989, na Paraíba.

Em 2015, a 68ª Assembleia Mundial da Saúde, repactuou o compromisso dos países membros com o processo de erradicação da poliomielite até o ano de 2018. Visando atender essa meta, o Ministério da Saúde (MS) elaborou o Plano de Erradicação da Poliomielite: Estratégia no Brasil, que contará com ações de vigilância epidemiológica, imunizações, contenção laboratorial, vigilância em saúde ambiental e comunicação social.

  • Vigilância Epidemiológica: O plano recomenda a intensificação das ações de notificação/investigação imediatas, em até 48 horas, de todos os casos de paralisia flácida aguda, para garantir a coleta oportuna de fezes (até 14 dias após o déficit motor), para a detecção viral.
  • Imunizações: A principal ação programada é a substituição da vacina oral da poliomielite (VOP) trivalente, com os sorotipos 1, 2 e 3, pela VOP bivalente, com os sorotipos 1 e 3. As VOP trivalentes recolhidas serão incineradas, uma vez que deseja-se evitar que o poliovírus vacinal sorotipo 2, que é vivo/atenuado,  seja eliminado no meio ambiente, possibilitando a infecção de pessoas pelo vírus derivado da vacina em locais com baixa cobertura vacinal. A VOP bivalente estará disponível nas salas de vacina a partir de agosto de 2016.  Outra mudança instituída, em 2016, foi a alteração do esquema básico de vacinação da criança. O novo esquema indica a vacina inativada da poliomielite (VIP) nas três primeiras doses (2, 4 e 6 meses) e a VOP apenas nos dois reforços (15 meses e 4 anos) e campanhas anuais.

Outra recomendação é a vacinação de viajantes, de qualquer idade, que irão para o Afeganistão, Guiné, República Democrática do Laos, Madagascar, Myanmar, Nigéria, Paquistão e Ucrânia, pois esses países ainda apresentam maior risco de circulação do vírus.

Recomenda-se a consulta ao link http://www.polioeradication.org/keycountries/polioemergency.aspx que é atualizado constantemente, para eventuais alterações nas recomendações.

  • Contenção laboratorial: o MS assumiu o compromisso de garantir a contenção de amostras contaminadas e potencialmente contaminadas com o PVS nos laboratórios brasileiros. Essa ação visa evitar a reintrodução do poliovírus sorotipo 2 no ambiente.
  • Vigilância em saúde ambiental: Está previsto o monitoramento do poliovírus circulante no ambiente, através de amostras coletadas em efluentes de esgoto de locais estratégicos, como portos, aeroportos, locais vulneráveis à doença, entre outros. Essa ação de vigilância em saúde ambiental é complementar à atuação da vigilância epidemiológica da doença e fornecerá as evidências fundamentais para a certificação das áreas livres da poliomielite. Além disso, com a retirada do poliovírus tipo 2 da composição da vacina oral, o monitoramento ambiental terá importante papel para assegurar o sucesso desta estratégia, garantindo a detecção precoce do poliovírus derivado da vacina no ambiente.
  • Comunicação social: O MS recomenda atividades de comunicação para conhecimento e adesão às metas do plano pelos profissionais de saúde. No Rio Grande do Sul, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde divulgou amplamente o plano para as Coordenadorias Regionais de Saúde e municípios.
Centro Estadual de Vigilância em Saúde